Ele: Eu sei o que você quer.
Disse com uma voz sedutora.
Ela: Hm, o que eu quero?
Ele: Ora, o que todas as mulheres querem: Um homem gostoso e uma transa mais ainda.
Ela: Homens. Porque são tão idiotas? Nós não queremos um homem gostoso e uma transa gostosa. Queremos amor, carinho,fidelidade, atenção, compaixão, companherismo. Conhece essas palavras?
Ele: Sim. Mas desisti delas há algum tempo. Ei, eu tenho um coração sabia? Não sou tão insensivel assim.
Ela: Não parece.

Ele se aproximou dela e a olhou bem fundo nos seus olhos.

Ele: Eu sou desse jeito porque a vida me fez ser assim. Fui magoado, assim como você. Mas eu também aprendi que se quiser saber se uma mulher realmente te ama, seja um cafajeste com ela.
Ela: Como assim? Não entendi.
Ele: Se ela não te amar, vai sorrir, fazer uma cara de sexy e vai sussurar alguma sacanagem no seu ouvido.
Ela: E se ela te amar?
Ele: Vai dizer que homens são idiotas e que tudo que ela quer é amor, carinho, fidelidade, atenção, companheirismo


— VOCÊ VAI FICAR COMIGO?
— VOU.
— A NOITE TODA?
— É. AGORA DORME.
(15 MIN. DE SILÊNCIO)
— MOR?
— FALA.
— E SE A LIGAÇÃO CAIR?
— VOCÊ JÁ VAI ESTAR DORMINDO.
— E SE EU TIVER ACORDADA?
— VOCÊ ME LIGA DE VOLTA. FECHA OS OLHINHOS.
— TÁ.
(10 MIN. DEPOIS)
— EI, AMOR, ESTÁ AÍ?
— TÔ, JU. NÃO VOU SAIR DAQUI.
— E SE O SEU TELEFONE DESCARREGAR?
— A BATERIA TÁ CHEIA.
— E SE O MEU DESCARREGAR?
— PERDEU O CARREGADOR?
— NÃO, MAS EU TÔ NO ESCURO.
— JULIANA, SÓ DORME. TÁ BOM? DORME.
(MEIA HORA DEPOIS, A RESPIRAÇÃO DELA AINDA PODIA SER OUVIDA)
— JU? ESTÁ AÍ?
— TÔ, AMOR.
— MINHA NOSSA SENHORA, CÊ NÃO VAI DORMIR?
— ACHO QUE EU TÔ COM MEDO…
— DE FICAR SOZINHA. EU SEI. TE CONHEÇO. POIS BEM. VOU TE ENSINAR UMA COISA. PEGA TRÊS TRAVESSEIROS E COLOCA AO SEU REDOR.
— TÁ.
— AGORA PEGA UM LENÇOL AÍ E OS CUBRA. DIREITINHO.
— OK, E AGORA?
— AGORA FICA DEITADINHA. VOCÊ TÁ NO QUADRADO MÁGICO DA PROTEÇÃO. FECHA OS OLHINHOS. ESTOU DO SEU LADO, TE ABRAÇANDO, OK? MELHOR AGORA?
— MUITO MELHOR.
— FICO IMAGINANDO QUANDO É QUE A GENTE VAI PODER DORMIR JUNTINHO ASSIM, SABE, JU. EU TENHO ESSE MEU JEITO MARRENTO, MANDÃO DE SER, VOCÊ SABE, MAS EU SOU PURA MANTEIGA DERRETIDA POR DENTRO. NÃO CONSIGO DORMIR ENQUANTO VOCÊ NÃO DORME, TÁ LIGADA? PARECE QUE QUALQUER COISA VAI TE ACONTECER E EU NÃO VOU ESTAR POR PERTO PRA TE PROTEGER, SABE ASSIM? E EU NÃO SUPORTO A IDEIA DE ALGUMA COISA ATINGIR A MINHA PEQUENA. É ISSO QUE VOCÊ É, TÁ SABENDO, JU? (SILÊNCIO) JU?
(ELE OUVIA APENAS A RESPIRAÇÃO LENTA, QUASE INAUDÍVEL DA GAROTA.)
— IH, DORMIU. — DESLIGOU O TELEFONE E CONTINUOU FALANDO SOZINHO, COMO QUE PRA SI — MISSÃO CUMPRIDA. A PRINCESA ESTÁ SALVA.


Eu sei que você tem medo de não dar certo, acha que o passado vai estar sempre perto e que um dia eu vou me arrepender. E eu quero que você não pense em nada triste, porque quando o amor existe, o que não existe é tempo pra sofrer.


Dei um suspiro fundo. Um suspiro de verdade, vontade, saudade. Um suspiro imenso, profundo, intenso. Um suspiro que a gente só dá quando lembra de alguém que foi importante na nossa vida.



Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar: eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Mas eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia um louco, direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer.



Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura. Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

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Yasmin Braz

Yasmin Braz
[...]Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito. A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí? [...] '

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